15 de agosto de 2018

De 18 a 21 de julho ocorreu na Casa-mãe do setor feminino dos Arautos do Evangelho o Congresso Internacional para mais de 800 meninas provenientes de diversos países, como Colômbia, Equador, Espanha, Índia, Guatemala, Paraguai e Portugal.
O encontro iniciou-se com uma Solene Missa celebrada pelo Pe. Ricardo Basso, que com sua homilia despertou o entusiasmo e interesse das meninas para os dias seguintes.
As irmãs da Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum prepararam para as participantes do Congresso uma variada programação, com palestras ilustradas por diversos teatros.

           Uma das peças que mais cativou as participantes contava a seguinte história:
Em certa cidade havia uma princesa mãe de cinco filhas, pelas quais nutria um amor exclusivo. Durante toda a vida ela se dedicou à proteção da inocência das filhas, as quais corresponderam à sua benquerença, com exceção de uma. Esta, deixando-se levar pelo mundo e influenciada pelas más companhias, não aceitou a influência benévola de tão bondosa mãe e, com o passar do tempo, cresceu em seu coração o ódio àquela que tanto bem lhe queria.
 Passaram-se os anos e as cada menina trilhou um caminho: duas se casaram e duas receberam o véu de religiosas de clausura. Pouco tempo depois de cada filha ter tomado seu destino, a princesa fechou os olhos para essa terra e os abriu para a eternidade.
E o que terá acontecido com aquela filha que negou a influência da princesa?
Após a morte da mãe, ela adoeceu gravemente. Não tendo encontrado no mundo a felicidade que procurava, no leito de morte entrou em desespero... Mas Deus nunca abandona aqueles que d’Ele se aproximam! No fundo da alma, aquela filha desnaturada lembrou-se de uma certa senhora de luz... A sua mãe! Oh, que saudades! Como gostaria de tê-la ao seu lado! Porém, surgiu uma interrogação: seria ela perdoada por sua mãe, depois de lhe ter causado tantas amarguras e a desgostado enormemente?
Apesar de tantas debilidades e dos inúmeros pecados cometidos, a pobre filha se arrependeu e com grande pesar pediu perdão a sua querida mãezinha que tanto bem lhe havia feito, e cujo afeto durante toda a vida ela só tinha recusado. E, sem que a filha moribunda a visse, a princesa entrou no quarto espiritualmente e a cobriu com seu xale, levando sua alma para junto de si no Céu.
Assim faz Nossa Senhora com cada um de nós. Ela protege, afaga, consola... Mas alguns filhos teimam em se afastar d’Ela, causando-lhe grande dor ao seu Imaculado Coração. No entanto, nossa tão boa Mãe não desiste de nós! Como Boa Pastora, Ela cuida da ovelha ferida e vai atrás da desgarrada; faz de tudo, até o último momento, para conquistar novamente aquela alma que se desviou.
Rezemos, portanto, pedindo a Maria Santíssima a graça de nunca nos afastarmos ou tirarmos os olhos d’Ela, e que assim Ela nos preserve de todo mal e nos leve até o Reino de seu Imaculado Coração. Pois nunca se ouviu dizer que, tendo a Ela rogado um pecador, fosse ignorado pelo seu amor maternal.



10 de agosto de 2018

O mais precioso tesouro
O imponente navio avançava com as velas enfunadas, destacando-se no límpido horizonte daquela tarde deverão, enquanto se aproximava rapidamente da costa da ilha. No alto do mastro tremulava a temível bandeira negra. Não cabia dúvida: os piratas iam desembarcar!
Com a agilidade de um gato, Juanito, o pequeno indígena, desceu do promontório rochoso, onde se achava contemplando o belo panorama do mar do Caribe, e correu em direção à aldeia. Lembrava-se bem das advertências que tantas vezes recebera a respeito desses “tigres dos mares”. Antônio, o pai do menino, era o sacristão da única igreja do povoado e estava encarregado de tocar os sinos caso algum perigo ameaçasse, a fim de avisar os habitantes de que deviam fugir. No entanto, para cúmulo dos males, justamente naquele dia Antônio estava ausente. Saíra bem cedo, antes do raiar da aurora, em companhia do senhor pároco que ia administrar
os últimos Sacramentos a um moribundo, numa vila do interior da ilha.
Apesar de contar apenas oito anos, Juanito era valente e decidido; compreendeu ele que a responsabilidade pela segurança de seus concidadãos pesava sobre seus frágeis ombros. Fora o primeiro a avistar o barco e, sobretudo, na falta de seu pai, a obrigação de tocar o carrilhão recaía sobre ele! Mas... teria forças suficientes para movimentar o grande sino de bronze? Sempre correndo, cruzou a praça principal e chegou até a portinhola que dava acesso direto à torre da igreja. Sem hesitação, apoderou- se da grossa corda que pendia do alto e pendurou- se nela, colocando todo o peso de seu corpo. Aos poucos, o sino girou e, depois de várias tentativas, por fim emitiu seu som grave e solene, ecoando pela cidade inteira. Uma vez dado o primeiro impulso, as badaladas continuaram rápidas, alertando a povoação: com a força do sino, Juanito elevava-se a mais de um metro do solo, preso à corda, convicto da importância de sua missão.
Com efeito, ao escutarem o alarme combinado, os habitantes apressaram--se em escapar para a floresta vizinha, certos de que a aldeia não seria poupada do saque. Os homens fugiam levando alguns pertences
mais valiosos, as mulheres carregavam as crianças, todos corriam tomados de medo e atropelando- se pelos caminhos. Em poucos minutos as ruas ficaram completamente desertas; e apenas o grande sino de bronze continuava a ressoar...
De súbito, a porta do campanário abriu-se com violência e um homem alto e robusto ali entrou, seguido de muitos outros. Com mão férrea, agarrou o indiozinho pelo braço e fê-lo soltar a ponta da corda que ainda segurava.
― Rápido, menino ― vociferou ―, mostra-nos onde estão escondidos os tesouros deste povo! Juanito vacilou... ele não possuía tesouro algum! De repente seus grandes olhos escuros brilharam e um sorriso desenhou-
se em seu rosto infantil...
― Na minha casa está o mais precioso dos tesouros! Venham comigo! Surpresos e incrédulos, os corsários entreolharam-se; mas o chefe, dando exemplo, acompanhou o menino que já havia se lançado fora e os precedia com passo ligeiro...Após subirem a encosta de onde se divisava o mar numa perspectiva privilegiada, chegaram a uma humilde cabana de madeira e taipa, com telhado de palha. Sempre seguido da inquietante tropa
dos piratas, o intrépido indígena entrou e pôs-se a procurar algo sob o travesseiro de uma cama, ao fundo da choça.
― Aqui está! ― exclamou triunfante― tenho-o bem guardado como
me recomendou o sacerdote quando mo entregou, no dia de meu Batismo! Ele disse que devia cuidá- -lo, pois é o mais precioso dos tesouros! 
         Enquanto falava, mostrou-lhes um Rosário feito de sementes e do qual pendia uma cruz de madeira... Nas fisionomias dos piratas, porém, pintava-se a decepção e a cólera contra essa criança que agira desse modo, pois julgavam que o menino tentava enganá-los. Um deles, ao qual faltava o olho esquerdo, avançou por cima do pequeno, levantando ameaçadoramente um punhal. Contudo, o chefe parou-lhe o gesto e bradou:― O que fazes? Não toques no menino! Não vês que fala com sinceridade e retidão de coração? Lembrava-se ele dos ensinamentos que havia recebido nas aulas de catecismo, quando era pequeno, e de todas as vezes que rezara o terço com seus companheiros de Primeira Comunhão. Uma graça tocava seu coração, convidando-o a mudar de vida... E voltando-se para Juanito, continuou com voz comovida:
― Guarda teu precioso tesouro, menino. Graças à tua inocência esta aldeia não será tocada por nós, nem mesmo com a ponta de nossos sabres. E quando desfiares teu Rosário, elevando teus pedidos a Deus, lembra-te do que fiz por ti e oferece uma Ave-Maria por mim! Retornaram aqueles “tigres dos mares” para seus navios e, navegando ligeiros ao sabor do vento, desapareceram no horizonte. Pouco tempo depois, regressou
o senhor pároco e o menino contou- lhe tudo o que se havia passado. Antônio deu novo toque de sino, desta vez chamando o povo de volta, e todos se reuniram na igreja para agradecer à Virgem Maria por havê-los salvado naquela emergência, graças à inocência e coragem de Juanito e seu preciso tesouro: o Santo Rosário.

20 de julho de 2018


No longínquo ano de 1263, caminhava para Roma um sacerdote de nome Pedro, originário de Praga, segundo a tradição. Encontrando- se muito tentado em sua crença na presença real de Cristo na hóstia consagrada, fazia uma peregrinação para revigorar sua fé vacilante, pois sua identidade sacerdotal estava em jogo naquele atormentado período de sua vida. Ao se aproximar de Bolsena, decidiu entrar na cidade para prostrar-se diante do túmulo de Santa Cristina — mártir dos primeiros séculos do Cristianismo,da qual era muito devoto e ali celebrar a Eucaristia. Durante a Missa, voltou-lhe à mente a dúvida atroz que o atormentava, e ele pediu com insistência a intercessão da Santa a fim de conseguir aquela mesma fortaleza na Fé que a fez enfrentar o martírio. No momento da Consagração, tendo a hóstia em suas mãos, pronunciou as palavras rituais: “Isto é meu Corpo...”. Imediatamente ocorreu o milagre: a hóstia tomou uma tonalidade avermelhada e começou a gotejar sangue, o qual caiu copiosamente sobre o corporal.
 Os fiéis presentes também puderam contemplar o acontecimento e, estupefatos, comentavam-no com a vivacidade característica da região. Como prosseguir a celebração depois dessa impressionante manifestação divina? Faltou ânimo ao sacerdote. Tomado de imensa alegria e, ao mesmo tempo, de grande comoção, interrompeu a Missa, envolveu no corporal as espécies eucarísticas e dirigiu-se à sacristia. Sua torturante dúvida estava desfeita, sentia a alma cheia da Fé na presença real de Cristo na Eucaristia, e o coração transbordante de gratidão a Deus e à sua santa intercessora. Passados os momentos iniciais de forte emoção, decidiu ele ir sem demora comunicar o milagre ao Papa Urbano IV, que então residia temporariamente na vizinha cidade de Orvieto. Desejava também confessar ao Vigário de Cristo seu pecado de dúvida e pedir-lhe a absolvição.
Averiguações e confirmação do milagre
Com toda paternalidade, o Pontífice atendeu-o, juntamente com os clérigos e demais testemunhas do prodígio. Depois de ouvir com atenção todos os detalhes do acontecimento, resolveu enviar a Bolsena uma comissão chefiada pelo próprio Arcebispo de Orvieto — consta que dela faziam parte São Tomás de Aquino e São Boaventura — incumbida de fazer uma rigorosa averiguação dos fatos e, se confirmado o milagre, trazer as preciosas relíquias até ele. Após cuidadosas verificações, a comissão concluiu que tinha havido realmente um milagre. Formou-se então uma esplendorosa procissão para conduzir as inapreciáveis relíquias. Dela participavam os dignitários e uma multidão de fiéis da cidade de Bolsena, agitando ramos de oliveira. A seu encontro, veio de Orvieto outra procissão, formada pelo Papa, sua corte, os membros do clero e numeroso povo. Urbano IV prostrou-se de joelhos em terra para receber a Sagrada Hóstia envolta no corporal de linho impregnado do Preciosíssimo Sangue de nosso Redentor. Em seguida, dirigiram-se todos para a velha catedral. Ali, as Sagradas Espécies e o corporal foram mostrados ao público exultante de alegria e emoção, antes de serem colocados no sacrário. Com toda a Igreja, tinha o Papa conhecimento do famoso milagre de Lanciano, em que a hóstia e o vinho consagrados se transformaram em carne e sangue visíveis e tangíveis, conservando- se assim, sem se decompor, desde o século oitavo. Além disto, ele fora confidente de Santa Juliana de Mont Cornillon, a qual, em visões místicas, recebera dos Céus a incumbência de transmitir à Igreja o desejo divino de ser incluída no Calendário Litúrgico uma festa em honra da Eucaristia.

Instituição da Festa do Corpo de Deus
E, agora, diante do acontecido em Bolsena, não lhe restava mais nenhuma dúvida sobre o que lhe competia fazer. Assim, no dia 11 de agosto de 1264, através da bula Transiturus de Hoc Mundo, instituiu a Festa de Corpus Christi, estendendo para todo o orbe cristão o culto público à Sagrada Eucaristia, que era oficiado apenas em algumas dioceses, por influência de Santa Juliana. Cinquenta anos mais tarde, o Papa Clemente V tornou obrigatória a celebração dessa Festa da Eucaristia. E o Concílio de Trento, em meados do século XVI, oficializou as procissões eucarísticas, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública de fé na presença real de Cristo na Hóstia Sagrada. Estava, assim, instaurada em toda a Igreja a “Festa em que o Povo de Deus se reúne à volta do tesouro mais precioso herdado de Cristo, o Sacramento de sua própria Presença, e O louva, canta e leva em procissão pelas ruas da cidade” (João Paulo II, Homilia durante a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, 14/6/2001). Para conter as preciosas relíquias do milagre de Bolsena, a piedade católica fez confeccionar um esplendoroso relicário e, depois, erigir a belíssima Catedral gótica de Orvieto, cuja fachada colorida até hoje é objeto de admiração no mundo inteiro.
Preparativos para a Procissão de Corpus Christi no Projeto Futuro e Vida






Procissão