A chave do Céu
Cada vez que passava em frente ao convento de religiosas de sua pequena cidade, Maria sentia o coração bater mais forte. Gostava de ficar ouvindo do lado de fora o canto suave das irmãs, vindo da igreja. Aquelas melodias angélicas, cheias de uma paz que não era deste mundo, pareciam provir do Céu. Outras vezes, ficava espiando as monjas enquanto trabalhavam na horta e pensava: “Como elas são alegres! A irmã cozinheira, carregando tomates, é mais feliz que as minhas arrogantes companheiras se exibindo pela rua”. Aos domingos, Maria assistia à pregação e depois meditava nas palavras do padre de feições austeras e voz possante: “Lembrai-vos sempre, irmãos, que mais importa guardar tesouros no Céu ao invés de multiplicá-los na Terra. O Senhor nos ensinou: ‘De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder sua própria alma?’. Vede o exemplo de nosso pai São Francisco: soube ser pobre em espírito”. Um dia, não resistiu e perguntou a uma irmã: — O que devo fazer p...