O homem que sabia o dia de sua morte
Uma das principais diversões na Europa, ao chegar o outono, é a caça. Antigamente, quando os pais davam aos filhos lições da arte de bem caçar, costumavam contar-lhes esta história. O jovem Conde Rodolfo, homem saudável e forte, de formosa aparência, destro no manejo das armas, exímio cavaleiro e hábil caçador, imaginava que jamais morreria ou que, pelo menos, isto só lhe aconteceria depois de muitos e muitos anos. Numa fria tarde de outubro de 1321, embrenhou-se ele na densa floresta, perseguindo a presa que tentava escapar-lhe. Quando já começava a escurecer, avistou entre as árvores algo que lhe parecia uma parede. Cansado de cavalgar, desmontou, aproximou-se e viu que era uma antiga capela abandonada. Entrou. Tudo estava em ruínas: vitrais quebrados, bancos virados, poeira acumulada, morcegos, etc. De qualquer forma, pensou, há paredes e teto, é melhor do que nada. Juntando alguns bancos, improvisou um leito e, exausto como estava, logo adormeceu. Noite alta, acordou ou...