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O tesouro da cidade

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Grande era a festa na cidade! Afinal, completar 100 anos não é pouca coisa... Cada filho daquele solo tinha algo para contar do que ouvira de algum antepassado, antigo fundador da que outrora havia sido uma pequena vila e se transformara, agora, no pujante centro urbano que via florescer os esforços de seus maiores. Suas belas praças ajardinadas eram o orgulho dos habitantes. Não ficavam atrás os agradáveis parques, conservando a flora e fauna da região e garantindo, juntamente como a verdejante arborização das ruas e avenidas, o ar puro para as pessoas. A prefeitura marcava presença com sua imponente construção, revelando a confiança da população nos homens escolhidos para o governo do município, os quais exerciam seu ofício com sabedoria, zelando pelo bem comum. E as torres da Matriz, altanei ras e marcadas pelo tempo, sobressaíam sobre todos os edifícios, despontando como signo das raízes católicas a partir das quais nascera tão aprazível cidade. No entanto, quanto mais o des...

O índio centenário

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O sol nascente dispersava aos poucos a bruma que, durante a noite, havia coberto a densa mata sul-americana. Sentado tranquilamente, o velho índio tupi tomou um gole de chá de erva-mate, olhou para todos em torno e, sorrindo, disse: — Este menino me pergunta se conheci o Pe. Anchieta. Ora, pois! Olhe, guri, “conheci” é dizer pouco! Eu fui guia desse santo durante mais de seis anos! Os jovens brancos, índios e mestiços que dentro da grande cabana tomavam seu café da manhã fizeram um círculo, sentados no chão, como era costume naquela distante época da colonização. Os adultos, a uma certa distância, meneavam a cabeça afirmativamente. Ninguém conhecia as histórias dos tempos antigos melhor que o velho Juriti. Já naquele distante século XVI, o Pe. Anchieta era venerado como grande santo e missionário. — Pois conte alguma coisa dele, “vô” Juriti! — disse um dos pequenos, com os olhos enlevados. O velho índio ajeitou melhor o poncho e fixou o olhar num ponto distante, como a visl...

O homem que sabia o dia de sua morte

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Uma das principais diversões na Europa, ao chegar o outono, é a caça. Antigamente, quando os pais davam aos filhos lições da arte de bem caçar, costumavam contar-lhes esta história. O jovem Conde Rodolfo, homem saudável e forte, de formosa aparência, destro no manejo das armas, exímio cavaleiro e hábil caçador, imaginava que jamais morreria ou que, pelo menos, isto só lhe aconteceria depois de muitos e muitos anos. Numa fria tarde de outubro de 1321, embrenhou-se ele na densa floresta, perseguindo a presa que tentava escapar-lhe. Quando já começava a escurecer, avistou entre as árvores algo que lhe parecia uma parede. Cansado de cavalgar, desmontou, aproximou-se e viu que era uma antiga capela abandonada. Entrou. Tudo estava em ruínas: vitrais quebrados, bancos virados, poeira acumulada, morcegos, etc. De qualquer forma, pensou, há paredes e teto, é melhor do que nada. Juntando alguns bancos, improvisou um leito e, exausto como estava, logo adormeceu. Noite alta, acordou ou...