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Mostrando postagens com o rótulo Histórias

Uma igreja construída pelo demônio?

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         Na era das Grandes Navegações, quando a América ainda estava nos albores da civilização, havia em Quito, no Equador, um ilustre arquiteto cujas excelsas construções eram causa de admiração para todos os habitantes da cidade. Ele se chamava Cantuña, e era descendente de uma antiga estirpe de indígenas.          Corria o ano de 1550, quando alguns sacerdotes franciscanos espanhóis solicitaram a este construtor que edificasse uma magnífica igreja em honra do fundador da ordem. O arquiteto aceitou o pedido dos padre e prometeu-lhes concluir a obra no prazo de um ano.          Entretanto, esse homem possuía um costume terrível: cedia aos excessos da bebida. Assim sendo, esbanjou todos os bens a fim de saciar seu vício. Inclusive, gastou todo o pagamento que recebera dos franciscanos.          Passava o tempo. A dat...

Meia hora menos...

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A família de Gustavo era simples, mas muito religiosa. Desde bem pequenino, todas as manhãs, a avó, dona Esmeralda, o levava à Missa, e o menino se encantava com os acordes do órgão, com a luz do Sol entrando pelos vitrais, colorindo as paredes da igrejinha antiga de seu povoado e, sobretudo, com a sonora sineta que tocava durante a consagração. Impressionava-lhe ver aquela nave cheia de homens e mulheres que se ajoelhavam para adorar a Hóstia Consagrada, enquanto a vovó sussurrava-lhe cheia de fé:

Corrida de coelhos

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Aconteceu certa vez uma grande corrida de coelhos, que tinham por objetivo chegar até o alto de uma grande torre. Havia uma multidão assistindo, torcendo e comentando em alta voz o desempenho dos concorrentes. Como a maior parte dos torcedores julgava a altura da torre elevada demais, não acreditava que os coelhos corredores conseguiriam alcançar o alto da escadaria. Por isso, o que mais se ouvia eram comentários do tipo: Eles não vão conseguir chegar lá em cima. É alto demais. São muitos degraus! De fato, a meio caminho os coelhos começaram a desistir da corrida, arfando de cansaço e olhando para o público que torcia. Uns logo no começo, outros mais adiante. Mas havia um coelho que só olhava para o degrau seguinte. Persistia no esforço e decididamente continuava a subir em busca do topo, alheio à multidão onde vários continuavam a exclamar: Que pena! Eles não vão conseguir chegar lá em cima! Faltam muitos degraus e já estão todos cansados! E os coelhos estavam mesmo desis...

As três perguntas do Imperador

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       S enhores duques e barões — diz o grande Imperador de barbas brancas — eis que meu fiel amigo e vassalo Teudegúndio entregou piedosamente sua alma a Deus, deixando na Terra apenas sua lembrança e as saudades naqueles que o conheceram. Não tendo filhos, e havendo-o precedido sua esposa na mansão dos justos, seus bens e suas terras estão doravante nas minhas mãos; e eu vos reuni hoje aqui para determinar quem de vós merece receber esta herança. Vou fazer-vos três perguntas. Quem acertar perfeitamente as três, ficará com a herança.“Ouvi, pois, a primeira pergunta: onde está o centro do mundo?” Os duques e barões entreolharam-se, estupefatos. Nenhum deles saberia dizê-lo com precisão. Mas Carlos continuou: “Escutai agora a segunda: quanto achais vós que eu valho?”  O silêncio, na sala do Conselho, se fazia cada vez mais angustiante. Quem poderia responder a tão difíceis perguntas?  “A terceira pergunta é: o que estou pensando?”...

O pobre riquíssimo

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Quando o velho rico Naabot   leu a carta que lhe chegara àquela tarde, deu um largo suspiro... — Ah, parentes! Quem escrevia era um primo seu, avisando de uma próxima visita. Ah, Zabulon, filho de Dibon... Sua lembrança inspirava ao mesmo tempo pena e certa aversão. Os dois, oriundos de abastadas famílias de Israel, haviam sido muito próximos quando jovens. Passados os anos, Naabot, comerciante incansável e empreendedor, tornara-se um dos homens mais ricos de Jerusalém. Zabulon, pelo contrário, viu seus negócios rolarem numa trágica sucessão de infortúnios, e pelo que se sabia, estava, agora, à beira da completa ruína. Porém, após anos de separação, ele estava curioso em revê-lo, assim marcou um encontro em sua casa de campo, a pouco mais de seis milhas ao sul de Jerusalém. O sol se punha atrás das colinas arenosas, naquela tarde de dezembro, quando os primos se encontraram. O contraste entre os dois era   quase chocante. Naabot era a figura encarnada da boa fortuna...

O barqueiro e o “sábio”

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Distraídos pela conversa, o barqueiro e o sábio navegavam sem perceber que a barca avançava com rapidez na direção de um rochedo. Certa vez, um sábio que muito se gloriava de suas ciências atravessava de barca um largo e belo rio. Enquanto espraiava o olhar pelo atraente panorama ao seu redor, travava animada conversa com o alegre e simpático barqueiro, que ao seu lado remava com vigor e destreza. — Então, meu jovem, você sabe alguma coisa? — Eu? Sei remar, nadar e rezar. — Mas você não sabe filosofia? — Nunca ouvi falar disso. — Ah, meu amigo! Então você perdeu uma quarta parte da sua vida.- E continuou perguntando o sábio: — E você já estudou física? — Também não — respondeu rindo o humilde remador. — Perdeu, pois, duas quartas partes da sua vida. Insistindo novamente, o sábio fez-lhe uma terceira pergunta: — Já aprendeu matemática? — Não. — E astronomia? E gramática?... Para todas essas perguntas tinha o pobre barqueiro sempre a mesma resposta: ...